E seu desempenho no ano passado

Começaremos nossa análise debruçados sobre a primeira palavra do intrigante termo que é “Inteligência Artificial”. Afinal, o que é inteligência? O que difere a espécie humana dos tantos outros animais que habitam esse planeta?

Uma rápida procura no mecanismo de pesquisa digital me traz as seguintes respostas:

“1. Faculdade de conhecer, compreender e aprender.

 2. Capacidade de compreender e resolver novos problemas e conflitos e de adaptar-se a novas situações.”

A primeira definição podemos ver de forma clara e cristalina nos algoritmos, que são conhecidos pelas técnicas de machine learning e deep learning, observados por exemplo na inteligência artificial Alphazero, que apenas observando jogos de xadrez aprendeu a jogar o jogo sozinha e se tornou hoje a melhor jogadora do mundo (superando todos os humanos e também outras inteligências artificiais).

Mas é a segunda definição que nos chama tanto a atenção e que aponta um verdadeiro teste de fogo para as inteligências artificiais que hoje atuam como operadoras de trades no mercado financeiro. Primeiro vamos entender como esses robôs conseguem atuar e alcançar rentabilidade expressiva nos mercados:

Fundos de investimento quantitativos

Como inteligentemente ensinou Aristóteles, alcançamos a definição das coisas ao indicar gênero e espécie. Começaremos indicando as diferenças que podemos encontrar dentre os fundos de investimento, em geral, que podem ser separados em 2 grandes grupos e 2 subgrupos, sendo estes:

  1. Fundos sistemáticos e não-sistemáticos:
  • Um fundo sistemático é aquele cujo processo de decisão segue um parâmetro pré-definido, sendo aquele no qual o trabalho do gestor é minimizado e basta um trabalho puramente operacional para pôr em prática aquilo que já estava definido. Normalmente, são aqueles fundos que apenas replicam índices ou indexadores, sem a intenção de alcançar um retorno superior ao do mercado.
  • O gestor, num fundo sistemático, não exerce seu poder de decisão, diferente de um fundo não-sistemático, onde o gestor decide o que comprar e vender, sendo plenamente responsável pelo retorno do fundo, sendo superior ou inferior ao mercado.

2. Gestão passiva (β) e gestão ativa (α)

  • O α representa o resultado acima do resultado do mercado, que representa uma vitória, um desempenho acima da média.
  • A gestão passiva representa um fundo que não trará grandes surpresas, e terá como resultado apenas o equivalente ao índice ou indexador que o fundo se propôs a seguir.

Desta forma, podemos fazer quaisquer combinações entre os tipos de fundo 1 e 2. Destas várias combinações, sem dúvida alguma a mais intrigante é a dos fundos sistemáticos de gestão ativa, como mostrarei a seguir:

Conforme indicado acima, um fundo sistemático de gestão ativa é onde o gestor não possui poder de decisão algum, está limitado a apenas obedecer a regras pré-definidas, mas, ainda assim almeja sobrepujar o mercado. Como poderia isso ser possível?

Isso se dá devido aos algoritmos programados pela equipe do fundo, composta por matemáticos e estatísticos, muitas vezes sem a menor relação com o estudo das ciências econômicas. Para esta equipe, basta encontrar modelos com significância estatística que possibilitem alcançar lucros!

Como muitas vezes essas estratégias são realizadas por uma quantidade muito elevada de operações em um curto espaço de tempo, há também a programação de robôs que garantem sua execução.

Tal estratégia aparenta ser uma tendência global. Hoje, nos mercados desenvolvidos, 3 a cada 10 fundos são deste tipo, e o número é ainda bem mais expressivo nos mercados asiáticos.

Condições macroeconômicas do passado recente

Com a eclosão da pandemia do coronavírus em 2020, desconcertando toda a economia global, vimos uma forte atuação generalizada dos bancos centrais e políticas fiscais efetuadas de uma forma nunca antes vista em nenhuma economia global.

Apesar de já termos visto atuação parecida durante a crise de 2008, e já termos até nomeado esse tipo de atuação de quantative easing, que é basicamente a injeção extremamente volumosa de dinheiro da economia, através do sistema bancário e programas de incentivo e ajuda do governo, o que vimos no ano de 2020 foi um volume gigantesco.

Tivemos em 2020:

  1. TAXAS DE JUROS EM 0% OU NEGATIVAS. Além do resultado óbvio, que é o empréstimo de dinheiro sem juros ou até mesmo remunerado, com as taxas negativas, onde se paga ao final menos do que pegou emprestado, como as taxas de juros ditadas pelos governos são balizadores para os produtos de renda fixa, há um ambiente de repressão financeira, onde os investidores são incentivados a buscar aplicações mais ousadas para conseguirem um rendimento acima da inflação.
  • COMPRA DE DIVERSOS ATIVOS PELOS GOVERNOS/BANCOS CENTRAIS. Em 2008 já havíamos visto o governo comprar diversos títulos de renda fixa com alto risco de default, para assumir o risco dos negócios, porém em 2020 vimos governos comprando títulos de toda e qualquer natureza, incluindo até mesmo ações, visando impulsionar uma alta nos mercados (sim, governantes “imprimiam dinheiro” e compravam ações).
  • PAGAMENTO DE DIVERSOS AUXÍLIOS AOS CIDADÃOS. O pagamento de um auxílio emergencial foi um procedimento padrão de todas as grandes economias mundiais.

Desempenho dos Fundos Quantitativos sob estas condições

Tivemos sob estas condições muitos fundos com performances extraordinárias, que souberam dançar conforme a música tocada pelos governos e bancos centrais, mas esse não foi o caso dos Fundos Quantitativos.

GIANT ZARATHUSTRA FIC FIM 11.052.478/0001-81

GIANT SIGMA FIC FIM 29.826.089/0001-21

KADIMA II FIC FIM 09.441.308/0001-47

MURANO FIC FIM 09.586.692/0001-76

Acima estão indicados os principais fundos quantitativos do Brasil e seus respectivos desempenhos durante os dias mais graves da pandemia, qual seja, 01/02/20 até 07/07/21.

Depois de tantos rodeios, chego onde indiquei no primeiro parágrafo do presente artigo: A estratégia quantitativa precisou demonstrar sua verdadeira “inteligência” no sentido da palavra que é o meu favorito, qual seja, a capacidade de se adaptar às condições, por mais adversas que sejam.

Fica evidente para mim que tais fundos falharam em sua missão: no lapso de 1 ano, a grande maioria dos fundos não conseguiu obter rendimento algum. Resta claro que, tais fundos, que tem como objetivo principal explorar falhas de mercado e identificar oportunidades de obter rentabilidade abnormal, só conseguem fazê-lo sob condições rotineiras.

A (ainda) importância dos Fundos Quantitativos

Apesar de tudo demonstrado acima, a presença de Fundos Quantitativos segue indispensável para o equilíbrio de uma carteira de investimentos saudável. Coincidentemente, a razão é a mesma da própria estratégia do fundo, qual seja, puramente estatística.

Estatisticamente, tal estratégia de fundos não segue a mesma tendência do resto dos investimentos, no sentido que, o mercado pode estar em alta ou baixa, a taxa de juros pode estar subindo ou caindo, a economia pode estar expandindo ou contraindo, isso de nada afetará o desempenho destes fundos, diferente dos outros tipos de investimento. O desempenho dos fundos quantitativos depende tão somente da capacidade dos matemáticos e estatísticos por trás dos algoritmos.

E é com investimentos desta natureza que alcançamos a verdadeira diversificação. De nada nos adiantaria se tivéssemos, por exemplo, 20 investimentos diferentes, se todos subissem quando a economia prosperasse e todos caíssem quando a economia estivesse em crise.

A ideia de uma boa carteira de investimentos é manter um rendimento regular, acima da média, com certas decisões táticas que não comprometerão o desempenho da carteira. E para isso, os fundos quantitativos sem dúvida alguma possuem lugar garantido numa boa carteira de investimentos.

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Links das gestoras dos fundos mencionados:

Home

https://www.muranoinvest.com/

https://www.kadimaasset.com.br/

Créditos para https://investnews.com.br/ que fornece a plataforma para gráfico com desempenho dos fundos.

Por Gustavo Hamdan, Assessor de investimentos